quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O dia em que impedi o primeiro-ministro de se constipar...(versão oficial)

Versão dos divergentes (punível com acção disciplinar e como tal contada apenas aos elementos da família mais próxima): O dia em que me devia ter despedido, mas não pude porque tenho de continuar a pagar a escola dos filhos, a prestação da casa, o arranjo do carro, a segurança social, as contas do gás, a ida ao dentista........



A noticia era o gasto do governo em inaugurações milionárias. Passou depois a uma inauguração que não vi nem me interessa saber onde foi. A noticia do telejornal era esta. Mas devia ser outra. Ou outras, porque de facto são muitas, ou podem ser muitas.

Alguém viu? Se sim, por favor digam-me que eu não vi um homem no meio do chão a impedir o vento de entrar na tenda onde o PM se encontrava.

Por favor digam-me que não. É que até pode dar vontade de rir. É tão absurdo, que sim, pode ser essa a primeira reacção. Mas é demasiado grave para não se ficar furios@. Extremamente furio@.

O mais óbvio era falar aqui do desrespeito atroz por esta minha geração que ficará para a história como a geração dos 500 euros, a geração dos recibos verdes, a geração da total incerteza, a geração dos desempregados que nem numero de estatística são...

Mas aqui a palavra é outra. A palavra é poder. O poder que a entidade patronal (seja ela qual for) tem sobre pessoas que por e simplesmente não têm alternativa. E esse poder aumenta. Lentamente. Ás vezes menos lentamente, mas a aumentar assustadoramente, sob a forma de uma aparente liberdade e o aval de um estado que não só tem memória curta, como teima em branquear uma história que precisa de ser contada. Caso contrário, não só iremos produzir seres acéfalos e medíocres, num país cinzento e de pensamento robotizado, como voltaremos atrás 35 anos, deitando por terra a luta e a esperança de um mundo melhor.

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