"Quem não gosta, não pode ser boa pessoa" diz a minha querida mãe e eu concordo.

Público - sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
O ronrom assassino
"Os nossos gatos, quando eram gatos de cidade, eram tristonhos e bonzinhos. Passavam os dias a pensar na futilidade da existência e a dormir. Desde que vieram para o campo, ficaram felizes e tornaram-se assassinos.
Todos os dias há um passarinho decapitado à porta de casa. Olha-se para os gatos e só lhes falta assobiar para o lado. Se calhar acham-nos uns ingratos por não agradecermos aquele presente, que lhes deu tanto trabalho a apanhar.
Na cidade, os gatos eram medrosos e recolhidos, pirando-se ao primeiro pio. Aqui, onde há cães e falcões e gatos atomatados com caparro de pugilista, perderam o medo, saltam o portão e andam para aí a gingar os ombros, como se fossem os donos desta merda.
Nunca tinham visto um cão à frente mas agora, se um deles lhes invade o espaço pessoal, arranham-lhe a ponta do nariz, onde dói mais, a um ritmo de 30 arranhadelas por segundo. Antes do cão ganir por causa da primeira arranhadela já levou mais oito. Os restantes ganidos ouvem-se cada vez mais baixinho, à medida que o bicho se faz longínquo.
A lei considera - e bem - que os gatos, ao contrário dos cães, são animais selvagens.
Fazem o favor de gostar de nós e de se portar, quando lhes fornecemos as atenções de spa e wellness que eles exigem, como anjos fofinhos que se dignam esticar-se na mesma cama que nós, terrenos. Mas, mal viramos as costas, sobe-lhes à cabeça a vertigem de sangue e de carnificina. E o ódio ao atrevimento do voo."

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